
Começo de ano é sempre igual. Todo mundo à espera do carnaval pra ficar mais quatro dias sem fazer nada, ou pra cair de cabeça no ziriguidum. Como aqui na GALAXY DISCOS niguém quer saber de tamborim - mas um feriado de quatro dias não faz mal a ninguém -o ano já começa pegando fogo no barulho do indie pop da Velvet Blue Music.
A idéia da loja é trazer num primeiro momento e a preços atrativos parte da produção interessante apresentada pelo selo do Jeff Cloud, ex-Starflyer 59, ex-Joy Electric e líder bissexto da Pony Express, banda que está na GALAXY com a coletânea Odd Balls. O disco traz uma penca de canções distribuídas por lados b dos seis discos anteriores da banda, que já teve Jason Martin na bateria, além de Josh Doley (MAP, Starflyer 59) e Richard Swift como colaboradores.
Que jeito melhor que conhecer o trabalho da VBM, representado timidamente pela GALAXY DISCOS, do que com uma entrevista do dono do selo? Eis uma entrevista concedida a Steve Ketzler e veiculada no site do seu próprio selo nem tão recente, mas suficiente pra conhecer o cara, apaixonado por indie pop e bonachão até os calcanhares.
JEFF CLOUD
Por Steve Ketzler.
Se você não está familiarizado com o meu tema, Jeff Cloud, deixe-me apresentá-lo. Jeff Cloud, ou apenas Cloud, como é frequentemente chamado, é o fundador e proprietário do selo Velvet Blue Music. Ele tocou em diversas bandas, como Starflyer 59, Joy Electric, Pony Express e The Party People. Ele atua como produtor executivo em um sem número de discos. Ocasionalmente, escreve artigos e resenhas para revistas. É um fotógrafo fantástico, ainda que não admita. É um homem preenchido por um espírito de aventura. Ele parece ser querido por todos, e seu carisma é indescritível. Ele é o tema desta entrevista, realizada entre os dias 28 e 29 de outubro de 2006, por email e telefone.
Velvet Blue Music completa agora 10 anos na cena. Objetivos e visões do selo foram alterados desde que você começou?
Rapaz, a primeira questão já é profunda! Meu objetivo de lançar música nova e inovadora nunca mudou. As coisas mudam bastanta ao longo de 10 anos, então tenho certeza que minhas visões mudaram de ano para ano. Acima de tudo, acho que continuo fazendo o que me propuz a fazer.
Quando você começou o selo, você demonstrava estar mais conectado ou focado na música cristã. Continua com o mesmo foco agora?
Sim e não. Quando comecei, tinha a idéia de que eu poderia mudar o um tanto quando velho e cozido mercado cristão. Foi depois de anos de trabalho nisso que entendi que (o mercado cristão) era um clube que não procurava por novos membros. A maioria das bandas com quem trabalho é cristã, embora eu não tenha real interesse no mercado cristão atualmente. Quero que os discos da VBM sejam ouvidos pelo mérito artístico. Você sabe o que quero dizer.
O que você quer dizer com ‘um club que não quer membros novos’?
Quero dizer que é uma maquina bem azeitada que faz muito dinheiro pra muita gente. A legitimidade dos artistas ou da música não é tão importante quanto a fé envolvida, e isso faz dinheiro. As pessoas que fazer muito dinheiro não querem quaisquer melhorias ou qualquer coisa que possibilitaria uma virada na questão financeira. Não quero ser visto como um cara anti-música cristã, tenho de concluir que a fé de cada um não tem absolutamente nada a ver com o que se faz com progressões de acordes escolhidas. Apenas em algumas raras ocasioes penso que a religião e o rock têm alguma coisa a ver um com o outro.
Na página inicial do seu site há uma colagem com todas as capas dos lançamentos da VBM. Te parecem muitos lançamentos quando você olha para aquilo?
Um fã do selo fez aquilo pra mim, e foi uma espécie de choque ver aquilo. Me parece muitos lançamentos ao olhar de uma só vez. Cada uma das capas é uma fotografia da minha vida. Posso ver cada capa e lembram com quem trabalhei, quais sonhos estavam envolvidos naquilo, o que eu estava fazendo etc.
Quais são seus lançamentos favoritos?É sempre muito difícil. Das coisas antigas, sempre gostei do “Don’t Look Down”, do Jetenderpaul, “Novel”, do LN, os dois eps do Fine China, o 12” “Everyone Makes Mistakes”, do Starflyer 59. Não sei, quero dizer, gosto muito de todos os lançamentos do Map, todos do LN. Estou ansioso com o novo álbum do Calico Sunset.
Quais os próximos lançamentos da Velvet Blue?
O novo do Kissing Cousings, Silver Cities, Gary Murray, Calico Sunset, Broadway Hush, Map. Ainda estou trabalhado duro nos últimos lançamentos também, Other Desert Cities, Map, Kissing Cousins.
Como você vê a situação da música agora?
Hm, até onde vai a música atual, acho que está melhor do que nos últimos anos. A indústria da música atual, acho que está num patamar estranho. Toda essa questão do online, download, ‘cd burning’, myspace, tem tornado tudo estranho. Para quem curte música é genial. Você poderia ouvir música pro resto da sua vida sem gastar um centavo. Para selos independentes como o meu, isso provavelmente vai ser o prego no meu caixão.
Você é contra essa revolução digital?
Não quero dizer contra. Acho apenas que isso torna a maioria das pessoas preguiçosas. Quando era mais jovem, costumava ler sobre as bandas primeiro, depois esperaria pelo single ou ep para depois tirar minhas conclusões, então eu pagava US$10 ou US$12 (preço de importado) por três ou quatro músicas. Havia algum comprometimeto, algum risco. Hoje, as pessoas ouvem 30 segundos de um disco todo e podem decidir deixa-lo de lado. Ou pensam por que comprar o disco se é possível escutar quatro de 10 músicas das bandas no myspace.
Você sente que com tanta música facilmente disponível, os discos não estão sendo ouvidos mais atentamente?
Gostaria de pensar que isso não é verdade, mas provavelmente é. Quero dizer, sou um cara que lança vinil, enquanto o vizinho reclamando que levou 45 segundos para baixar um disco inteiro em seu relógio de pulso. Acho que os fãs verdadeiros de música ainda apreciam o disco todo, a música, as letras, o encarte.
Você ouve muita música além dos lançamentos da VBM?
Sim, especialmente nos últimos seis meses ou mais. Por um perído estava apenas lançando música. Nada novo parecia chamar minha atençã. Então decidi ouvir discos que já tinha, que eu sabia que havia gostado. O estranho é que passei a gostar deles ainda mais.
Pode dar alguns exemplos?
Estou ouvindo The Smiths, Echo and the Bunnymen, Sun Kil Moon, Aimee Mann, Jimmy Buffet, LN, Indian Bingo, Richard Swift, Jeff Buckley. Só coisas que não são novas, mas são muito boas.
Acho que a maioria das pessoas tem curiosidade em saber sobre os seus amigos. Tudo bem se te perguntar sobre alguns deles?
Sem problema. Talvez eu tenha algo constrangedor para contar sobre eles. Brincadeira.
Richard Swift?
Rapaz, eu amo Swift. Você seria duramente pressionado para conhecer alguém mais legal e genuíno. Você poderia tocar, ver um filme, ou cavar um buraco, qualquer coisa com Swift pode ser divertido. Sem mencionar que ele é um ‘entertainer’ no real sentido da palavra. Ele é o salvador da música pop atual.
Jason Martin?
Infelizmente quase nunca vejo Jason. É também um grande cara. Divertido, pés no chão e humilde.
Você não vê Jason Martin tanto quanto durante o tempo em que tocou no Starflyer 59?
Sim, quando eu estava na banda, estávamos juntos o tempo todo. Estive na banda por sete anos ou algo assim. É mais tempo do que muita gente permanece casada!
Se você não se importa, porque parou de tocar no Starflyer?
Jason e eu tinhamos idéias diferentes para a banda. Ultimamente, é a banda dele, então a última palavra era sempre dele. Sem grandes problemas.
Idéias direfentes musicalmente?
Não, Jason sempre ecreveu músicas excelentes. Basicamente eu queria expandir as coisas e fazer shows, e ele não. Ele sempre teve um emprego verdadeiro, então o dinheiro das turnês não era importante pra ele.
Ronnie Martin?
É sempre divertido estar com ele. Um cara totalmente pés no chão. Joy Electric é uma banda incrível, brutalmente subestimada. Algum dia suas músicas estarão em comerciais da Volkswagen e ele deverá se tornar um cara rico.
Frank Lenz?
Estando envolvido nessa indústria, você conhece muita gente. Você tem tantos amigos, mas em alguns períodos você pensa se as pessoas são realmente seus ‘amigos’ ou se são amigos fora das circunstâncias que o cercam ou em necessidade. Você sabe, as pessoas correm quando os problemas chegam.
David Bazan?
Ele não é um amigo super próximo e eu não o vejo há um bom tempo, mas gostaria (de vê-lo). Ele é o tipo do cara que você pode tê-lo conhecido há quatro dias, mas parece que você o conhece há quatro anos.
Pergunto porque vi você sair em sua defesa em algumas mensagens e porque você fez cover de Options.
Dave é um grande cara e não merece todas as mensagens ofendendo-o. Ele é um cara sincero com grandes pensamentos e grandes idéias. Não sei mais o que dizer. Fiz a cover de Options porque adoro a música e achei que ele vibraria ouvindo a gente tocar.
Josh Dooley?
Adoro o cara. Ele tem idéias sem limites. Você pode ter bons momentos com ele fazendo absolutamente nada. Ele joga muito video game. Sem mencionar que ele escreve algumas das frases de guitarras mais geniais da terra. Espero que alguma música do Map acabe em um comercial da Volkswagen também, então ele e eu poderíamos ficar ricos. Deveria mencionar que eu adoro vencer o irmão dele no tênis.
Obrigado. Não achei que gastaria tanto tempo nisso. O que você gosta de fazer quando não está no trabalho?
Ficar com minha esposa, caminhar, navegar de barco, andar de moto, filmes, sei lá.
Tem visto algum filme bom atualmente?
Camp Hollywood. Documentário incrível em um hotel em Hollywood onde aspirantes a ator e músicos vivem. Bem deprimente mas bem interessante.
Ouvi que você tem uma nova obsessão com barcos. Você tem algum?
Não chamaria de obsessão, e não é nova. Tenho um barco e é bem divertido.
Onde você navega?
Bem, moro na praia, então basicamente toda a costa está à disposição. Há uma ilha pequena chamada Catalina, mais ou menos uma hora da costa, então vou até lá uando posso. O mar é maravilhoso, é uma verdadeira aventura, sabe?. É tão vasto, é uma loucura.
Você sente falta de estar em turnê ou você se sente feliz por estar em casa?
Sou feliz por estar em casa, mas sinto falta de estar em excursão. É como férias que você é pago para ir. Você está com seus amigos, vê gente e lugares novos, e a coisa mais difícil que você precisa fazer é estar no palgo e tocar por 45 minutos, e você é pago por isso! Qualquer banda que consegue fazer uma turnê e conseguir um dinheiro pode ser considerar abençoada. A vida pode não ser tão fácil.
Nunca havia pensado dessa maneira. Você sempre ouve quão cansativa e emocionalmente estressante uma turnê pode ser.
Como pode ser cansativo se você tem o dia inteiro pra dormir e apenas uma hora de trabalho? Às vezes é um pouco estressante estar com as mesmas pessoas todo dia, cada minuto por duas semanas, mas não se você é mais ou menos normal, ou alguém sociável.
Está trabalhando em algo novo do Pony Express?
Tenho um grupo de músicas novas, preciso apenas encontrar tempo pra gravá-las.
O que fez você decidir por lançar Odd Balls?
Eram apenas algumas músicas da Pony que as pessoas não tiveram mais acesso, ou não facilmente. Então achei que seria legal colocá-las em um cd.
O layout do cd é sensacional. Adoro as cores e as fotos. Pode falar sobre as fotos?
Obrigado. Também gostei muito da arte do cd. A capa e as fotos da cotra capa que eu bati. Estava tentando fazer um tipo de capa parecida com as da Verve (selo tradicional de jazz), mas tudo ficava sempre estranho e tudo ficava detonado. Então tirei fotos aleatórias e elas ficaram interessantes. As fotos internas foram tiradas por mim e pelo Swift. São de um hotel onde ficamos, ou deveria dizer que eu ainda não saí de lá.
Onde fica esse hotel?
Cara, é uma longa história. Levaria o ano inteiro de 2007 pra terminar de contar.
O que você quer realizar no próximo ano?
Quero vender discos suficientes para permanecer no mercado, ver as bandas da VBM bem sucedidas e ser feliz. Não é pedir muito, certo?
Nenhum comentário:
Postar um comentário